INTERCÂMBIO DE CONHECIMENTO E PRÁTICAS DO PROCESSO PRODUTIVO

Estive durante os meses de junho e julho em Trier na Alamenha, realizando um Estágio Prático na Cervejaria Kraft Bräu. Retornei com novos conhecimentos e práticas. Nosso curso agora está totalmente revitalizado...

Abraços, Felipe Viegas

Enriko e Patrick (Kraft Bräu) e Felipe Viegas (Taberna do Vale)

CURSO DE PRODUÇÃO DE CERVEJA EM CASA

CURSO DE PRODUÇÃO DE CERVEJA EM CASA
COMO CHEGAR NA TABERNA DO VALE - Nova Lima - Br-040 - sentido RJ - Av. Canadá, 968 - Bairro Jd. Canadá

Faça-nos uma visita, será um prazer recebê-los na Taberna do Vale. Agende sua visita com Felipe Viegas (31) 9136-8484

domingo, 17 de janeiro de 2010

Um pequeno panorama da nossa participação no segmento Cervejas Especiais em Minas Gerais

Em 2003, enquanto exercia a função de Gerente de Atacado da Rede de Lojas Casa Rio Verde, que apostou no trabalho de distribuição da cerveja alemã de trigo Erdinger em Minas Gerais, fui apresentado ao universo das cervejas especiais e tive a oportunidade de ser pioneiro na abertura do mercado mineiro. Naquela época era muito mais difícil, foi lançado o desafio: o mineiro aprecia bons produtos, é exigente, fomos criar um novo conceito. Chegava para visitar um comprador, tanto em restaurantes quanto em supermercados, com o objetivo de introduzir o produto nas mesas ou nas gôndolas e, na maioria das vezes era logo posto de lado, por se tratar de um produto caro, se comparado às cervejas do segmento comercial, das grandes cervejarias brasileiras. Custava na época para o ponto de venda mais de R$6,00 a garrafa de 500ml. Os compradores ainda não conseguiam enxergar o valor intrínseco do produto e acreditavam somente no fato de ser importada, o que não justificaria a diferença no preço para o investimento, ficavam então receosos e não compravam. Não se analisava a matéria-prima utilizada, os processos durante a fabricação, o cuidado como era tratado o produto, muito menos os aromas e sabores altamente diferenciados que a cerveja oferecia ao cliente degustador, que se dava ao luxo de investir, experimentando com uma visão crítica e sem preconceitos... A partir daí foram aparecendo os primeiros pontos de venda, aqueles restaurantes, delikatessens e supermercados de mais alto nível, que buscavam produtos diferenciados para seus clientes, que também eram diferenciados... Junto com as cervejas importadas que começavam a surgir em maior variedade, vieram as micro-cervejarias nacionais, com o mesmo conceito de qualidade, mostrando que era possível fabricar cerveja especial também aqui no Brasil. Hoje, possuímos mais de 100 micro-cervejarias, algo em torno de 80 ativas, à todo vapor. Estima-se uma produção no Brasil total de 16 bilhões de litros, sendo 0,28% saindo das micro-cervejarias. Em 2005, estimava-se algo em torno de 0,03%, para se ter a noção do crescimento do segmento cervejas especiais em nosso país. O brasileiro está aprendendo a apreciar as cervejas especiais, como também aconteceu anteriormente com os vinhos, quando se consumia o Liebfraumilch, aquele da garrafa azul, todos se lembram... O Estado de Minas Gerais está hoje como o terceiro estado no Brasil em número de micro-cervejarias, com 8 fábricas, ficando atrás de Santa Catarina, com 16, e do Rio Grande do Sul, na liderança, com 25 fábricas. Um fato diferencia Minas Gerais dos dois primeiros colocados: aqui se fabrica a maior diversidade de estilos, enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul produzem um grande volume de cerveja pílsen, um velho estilo conhecido dos brasileiros. Como destaque em Minas Gerais, não podemos deixar de citar duas Cervejarias que vêm ganhando a cada dia mais espaço no cenário cervejeiro nacional e mundial. A Falke Bier e a Wäls Cervejaria, ambas empresas familiares, que prezam pela qualidade desde a seleção e critério com a matéria-prima, passando pelos processos com muito cuidado, até a apresentação e conceituação de marketing em seus produtos. Podemos afirmar que ambas produzem hoje produtos em nível até superior às “gringas”, uma vez que as cervejas são produzidas por aqui mesmo e não são submetidas às intempéries sofridas durante a importação, desde o tempo parado no porto de origem, passando pelas grandes variações de temperaturas que são submetidas nos containers durante a travessia do mar, até o tempo que ficam paradas no Porto de Santos, aguardando a liberação da documentação, para aí poderem descansar nos depósitos dos importadores...

Paralelamente a este universo comercial, uma nova corrente vem a cada dia tomando mais força, o movimento dos Homebrewers, como são conhecidos por todo mundo, aqui também chamados de Cervejeiros Caseiros Artesanais. Surgem por todo Brasil as ACervAs, que são as Associações de Cervejeiros Artesanais. Aqui em Minas Gerais, existe a AcervA Mineira, da qual tenho a honra de ser associado fundador e atualmente Membro do Conselho Deliberativo. Possuímos uma rede de relacionamento, que além de criar e fortalecer laços de amizade e confraternização, gera e dissemina conhecimento cervejeiro de alto nível através de um Grupo no Yahoo. São postados diariamente vários e-mails de interesse cervejeiro, ou seja, de interesse comum a todos do grupo. Quem ganha com isto? Ganhamos todos, estamos todos em pleno crescimento teórico e prático, uma vez que tudo que se desenvolve particularmente é disseminado para o grupo. Chegamos hoje a um nível de amadurecimento que já nos levou a realizar 3 Concursos Nacionais, os dois últimos ultrapassando um público de 1.000 pessoas cada. Já há 3 anos produzindo cervejas em casa, associei-me recentemente ao Danilo Mendes, também membro da ACervA Mineira, com certeza um dos grandes cervejeiros deste país. Dispomos hoje de mais de 10 receitas de estilos diferentes já padronizadas e possuímos um projeto grandioso para 2010. Além das produções de cervejas e chopes, realizamos na Taberna do Vale, que funciona em minha casa, degustações dirigidas, cursos teóricos de produção, produção prática e iniciaremos agora os cursos de análise sensorial, para cervejeiros que queiram aprofundar seus conhecimentos em níveis superiores de análise de estilo e degustação.
O principal diferencial das cervejas produzidas na Taberna do Vale é o amor incondicional pelas boas cervejas... Fazemos a escolha da matéria-prima mais que criteriosamente, seguimos à risca o Guia de Estilos, buscando assim apresentar dentro da garrafa exatamente o que pede a região de origem do estilo, porém, com a personalidade da Taberna do Vale. Quando nos propusemos a criar uma receita e produzir uma cerveja de trigo alemã por exemplo, buscamos estar 100% dentro do estilo, pensando que nada mais nem menos, se vc for à região da Bavária, em Munique, degustará algo no mesmo padrão por lá. São meses, anos, de estudo, análises, testes, até falarmos, está no padrão. A Carolweiss, como o próprio nome diz, é uma homenagem à Carolina, minha esposa, não poderia ser feita de qualquer forma... Nós a produzimos há 3 anos, sempre buscando a cada batelada se aproximar mais da padronização pelo estilo Bavarian Hefe-weiss ou Bavarian Weissbier, já há 2 anos não alteramos a receita, está estabilizada e ficamos muito felizes com cada produção. A Mariwit, é uma cerveja da escola belga, uma Witbier, ou cerveja branca, como é chamada na Bélgica e Holanda, países de origem, aonde são fabricadas com mais volume. Quando a minha esposa engravidou, pensei logo, irei homenagear nossa filhinha que vem por aí... Fiquei durante os nove meses de gestação estudando o estilo, buscando exemplares variados no estilo, degustei cervejas Belgas, Holandesas, Francesas e Canadenses. Porque uma Witbier? Porque eu sabia que ela viria muito branquinha e certamente com um cabelinha bem lourinho, quase branco, além de super perfumada, com certeza... Todas estas são características do estilo, uma cerveja amarela bem clara, com reflexos brancos que vêm do alto teor de proteína do trigo não malteado utilizado em grande parte na receita e super perfumada, pois utilizo além da composição de maltes, semente de coentro moída e casca de laranja seca que conferem aromas cítricos e um toque mais que especial no final, camomila na maturação, tudo a ver com a nossa Marianinha. Produzimos algumas receitas da escola inglesa, estas foram pensadas em mim mesmo, cervejas mais malteadas, com aromas caramelados e levemente frutados, com uma boa dose de lúpulo, que as deixam mais amargas, cervejas para quem gosta das inglesonas... Recentemente me associei ao Danilo Mendes, que também trouxe, além do seu conhecimento e experiência prática, algumas cervejas já consagradas no Brasil cervejeiro, como a linha das Abadias da Escola Belga, que eram e são produzidas até hoje nos Monastérios Trapistas na Bélgica e Holanda. As Gerais Blond, Gerais Dubbel e Gerais Tripel, em ordem crescente de corpo, complexidade e naturalmente teor alcóolico, chegando a Tripel aos seus 9%abv. A maravilhosa Porter, da Escola Inglesa, como o próprio nome diz, eram as cervejas fabricadas para os estivadores dos portos da Inglaterra, cervejas escuras bastante fortes, no nível de paladar exigido pelos brutos da época... Um detalhe especial nesta Porter, utiliza o cardamomo na receita, o que lhe confere um sabor altamente diferenciado e especial... Finalizando, a Pipiripau, uma cerveja sazonal, produzida somente para o Natal, bastante encorpada e com alto teor alcoólico, que utiliza além dos ingredientes convencionais, algumas especiarias como cravo, canela, gengibre e noz moscada... Estamos atualmente desenvolvendo uma Barley Wine, que já se intitula Osíris, uma homenagem ao Faraó Cervejeiro do Egito, que além de ultrapassar os 10% de álcool, e passará por grande período de maturação, também em barrica de carvalho... Podemos dizer que se vivermos 100 vidas por conta de estudar e produzir cervejas, não seríamos capazes de chegar nem perto do início, quanto mais do esgotamento deste universo, que é ilimitado... Por isso, que além do prazer de degustar uma uma boa cerveja que vivemos intesamente esta vida de cervejeiro e consideramos um privilégio poder fazer parte

Um comentário:

  1. Belíssimo inicio de blog Felipão! E assim mesmo que começa! Boa história, verídica, com muito esforço e amor pelo que faz. Desejo a Taberna do Vale muitas brassagens de alegrias e boas cervejas, pois no fundo eu quero mesmo é curtir as boas cervejas que você e o Danilo sabem fazer, curtindo cada momento! Abraços e vão em frente. Henrique.

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