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segunda-feira, 27 de junho de 2011

MATÉRIA NO THE NEW YORK TIMES - MOVIMENTO HOMEBREWER NOS EUA...

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24/06/2011 - 00h01

Quer um engradado de cerveja? Vá até o porão

John Holl
Oakton (Virginia, EUA)
The New York Times

A cervejaria de Tim Artz é cercada por paredes de vidro em três lados e fica de frente para um pomar de macieiras e um jardim cheio de feijões, abóboras e 35 variedades de pimenta. Numa manhã fria de abril, as portas da cervejaria estavam abertas, mas lá dentro estava quente; o fogareiro abaixo do tanque de 110 litros estava quase a pleno vapor.

Artz já estava a bons 90 minutos de seu dia de trabalho; o grão havia sido moído e o lúpulo havia sido pesado e esperava sobre uma mesa próxima. Era o momento exato para sua mulher vir de dentro da casa e perguntar se ele e seus convidados gostariam de uma xícara de café fresco.

Artz, 48, é tem apenas uma cervejaria amadora, não é um profissional; seu emprego principal é como diretor de tecnologia de informação numa empresa de saúde. Mas com a elaborada cervejaria que ele construiu e instalou em sua sala na Flórida (há um barril grande para guardar o grão e um tanque de fermentação de US$ 1.800, além do caldeirão de 110 litros), ele poderia ser facilmente considerado muito mais do que um amador.

A atividade de fazer cerveja em casa, que foi considerada ilegal e só foi legalizado em 1979, está desfrutando de um ressurgimento. A Associação Americana de Cervejarias Caseiras, com sede em Boulder, Colorado, tinha apenas 11.724 membros em 2006; desde então este número mais do que dobrou, para 26.000. Este aumento de interesse, por sua vez, alimentou uma pequena expansão no setor de equipamentos para cervejarias, de acordo com Gary Glass, que é diretor da associação.

“As lojas que fornecem produtos para cervejarias caseiras reportaram um crescimento de 16% em renda bruta, de acordo com números de 2009”, disse Glass, referindo-se à mudança em relação ao ano anterior. Os números de 2010 ainda não estão disponíveis, ele acrescentou, mas antecipa outro crescimento de dois dígitos.

“Este aumento foi auxiliado pelo surgimento dos clubes sociais, livros e competições destinadas aos cervejeiros amadores, bem como pelo sucesso de microcervejarias durante as duas últimas décadas, que inspiraram muitos fabricantes amadores. Os movimentos de “faça você mesmo” e de consciência ambiental também tiveram seu papel.

“Há uma tendência de fazer as coisas mais localmente”, disse Glass. “E o mais localmente possível é dentro de casa.”

Mesmo a recessão não desacelerou as coisas, acrescentou Glass.

“Parte da teoria”, diz ele, “é que as pessoas têm mais tempo para hobbies quando estão desempregadas ou subempregadas.”

De certa forma, o ressurgimento lembra as raízes dos EUA. Diz-se que os peregrinos pararam em Plymouth Rock em vez de continuar até a Virgínia, porque sua cerveja tinha acabado e eles queriam se reabastecer.

Muitos dos “fundadores” da nação faziam cerveja em suas fazendas. (A receita de George Washington para uma cerveja preta feita com melaço, recentemente recriada por uma cervejaria do Brooklyn, foi produzida comercialmente pela Shmaltz Brewing Co.) Até os Obama se juntaram ao movimento; eles serviram uma cerveja feita na Casa Branca e flavorizada com mel das colmeias de lá durante uma festa no Super Bowl este ano.

Para muitas pessoas, fazer cerveja em casa evoca visões de equipamentos surrados guardados num canto da garagem, retirados ocasionalmente, funcionando a base de modestos botijões de gás normalmente ligados à churrasqueira e produzindo apenas alguns litros. (As cervejarias profissionais medem sua produção por barris – com cerca de 120 litros cada.)

Mas à medida que o número de cervejeiros amadores cresce, a maioria deles se parece com a família de Artz, pessoas com equipamentos de ponta que produzem bastante cerveja e têm um espaço dedicado para isso em suas casas.

“Quando olhamos para a casa e entramos na sala, ambos sabíamos que era aqui que seria a cervejaria”, disse Dot Artz, que ocasionalmente produz cerveja com seu marido, mas neste dia de abril estava fazendo cristais na cozinha com o filho de oito anos do casal, Ben. (Uma verdadeira família adepta do “faça você mesmo”, eles também colhem cogumelos, fazem seu próprio sabão, cuidam de quatro colmeias de abelha e defumam carne numa grande defumadora feita a partir de um tambor de óleo limpo e reutilizado.)

A família de Artz também gasta bastante com seus passatempos. Tim Artz virou os olhos e sorriu ironicamente quando questionado sobre quanto gastou em sua cervejaria ao longo dos anos.

“Muito”, disse ele. “Definitivamente não é um hobby barato.”

Alguns cervejeiros amadores que investem muito têm ambições de um dia abrir uma cervejaria profissional (como amadores eles não podem vender legalmente sua produção). Mas outros grandes gastadores não têm grandes planos empresariais; eles comparam a produção de cerveja a atividades como golfe: um passatempo que é exige amor, exploração, tentativa e erro, frustração e, finalmente, orgulho, quando a água, o malte, lúpulo e levedura se combinam bem para produzir uma cerveja perfeita.

Para esses amadores dedicados que estão dispostos a gastar dinheiro, diz Glass, fabricantes de equipamentos como a Sabco, de Toledo, Ohio, e a More Beer, de Concord, Califórnia, estão agora fazendo produtos comerciais de primeira qualidade para o uso doméstico.

“Ainda é exceção, não a regra”, disse Glass, que não é um dos amadores de primeira categoria. Ele produz cerca de seis vezes por ano, e faz isso num sistema Frankenstein, um jargão usado pelos cervejeiros amadores para descrever uma mistura de equipamentos que não é bonita, mas faz o serviço.

Mas o presidente da Sabco, Bob Sulier, acredita que o número de cervejeiros de primeira categoria está crescendo. No passado, o sistema Brew Magic da companhia – o principal, de US$ 6 mil – era vendido principalmente para cervejeiros profissionais, diz ele, mas agora muitos estão sendo comprados por cervejeiros amadores ou por grupos de cervejeiros caseiros. Em 2010, a companhia vendeu cerca de um sistema Brew Magic por dia, ele acrescentou.

“Nós atendemos ao topo do grupo, os cervejeiros amadores avançados”, disse Sulier. “Para muitos, este é o passo seguinte lógico. Eles estão dispostos a gastar dinheiro.”

Para muitos, o hobby começou na faculdade. Alguns queriam beber bem e gastar menos e outros foram inspirados por produtos para “iniciantes” como os kits Mr. Beer, barris de plástico que custam cerca de US$ 40 e vem com a quantidade certa de ingredientes e instruções simples para produzir cerca de 7 litros de cerveja.

Mas como muitos passatempos, fazer cerveja pode se tornar um vício – e ficar mais caro. Kal Wallner, um engenheiro elétrico de 41 anos de Ottawa, Ontário, disse que gastou cerca de US$ 5 mil numa cervejaria totalmente elétrica (a maioria é a gás) que instalou no porão abaixo da varanda de sua casa. Seu objetivo era ambicioso: um sistema que, “quando as pessoas entram, imediatamente pensam que é uma cervejaria de verdade.”

Atualmente, a cervejaria de Wallner está guardada esperando a família se mudar para uma nova casa. Quando ele se mudar no mês que vem, terá mais espaço para a cervejaria e planeja instalar drenos no chão, azulejar totalmente o espaço e acrescentar novos equipamentos.

“Dá muito trabalho”, diz ele, “mas vale a pena”. Bryan Rabe, 31, funcionário da prefeitura de Albertville, Minnesota, concorda. Rabe, que é casado e tem uma filha de um ano, instalou um sistema de 75 litros num pequeno quarto do porão que antes abrigava seu sistema de ar condicionado e aquecedor de água. Ele desenhou o sistema, de apenas 90 centímetros de largura, para caber neste pequeno espaço; a maior parte dele é automatizado e controlado por um painel que lembra um microondas e está embutido na parede.

Rabe, que tende a preferir as cervejas lager leves norte-americanas e algumas lager alemãs, guarda seu produto final num quarto refrigerado ao lado da cervejaria; essa sala refrigerada alimenta diretamente quatro torneiras na parede de seu bar no porão. A cervejaria é apenas uma das muitas cavernas na caverna deste homem, que também inclui uma sala de jogos, um home theater e um bar com pia.

“Você pode descer para o porão, e simplesmente ficar lá”, disse Rabe. “A única coisa que não tem é uma cama.”

Às vezes, até um bar de porão não é o suficiente para um cervejeiro amador. Christopher Bowen construiu um pub para acompanhar sua cervejaria de 37 litros, ambos no abrigo de 74 metros quadrados num terreno de frente para a água em Bethlehem, Pennsylvania, que também tem um chalé de propriedade dele, sua irmã e um amigo. Bowen, um planejador financeiro de 44 anos e pai de três filhos, chama o abrigo de HammerSmith Brewery and Alehouse. O interior lembra um pub britânico, completo com 24 canecas de cerveja com tampa para os visitantes regulares.

Bowen, que prefere fazer cervejas amargas e há muito esquecidas, aventurou-se na fabricação há sete anos, quando parou numa loja local para comprar um presente de aniversário para um amigo e saiu de lá com um equipamento de cervejaria de US$ 300 para si mesmo.

Logo, ele estava entrando em competições e em 2007 ganhou uma medalha de ouro no Grande Festival de Cerveja Americano, de 30 anos, o maior encontro de cervejas do país, que acontece anualmente em Denver. A maioria das manhãs de sábado, ele pode ser encontrado produzindo cerveja no abrigo; ele também desempenha o papel de cervejeiro em teatros históricos locais e é popular no circuito de palestras sobre produção de cerveja.

A competição que Bowen venceu é apenas uma entre centenas de competições existentes no mundo inteiro todo ano. Até as cervejarias profissionais dão uma chance para os amadores. No concurso anual Longshot, patrocinado pela Boston Beer Co., fabricante das cervejas Samuel Adams, cervejeiros amadores enviam receitas; os dois vencedores têm suas cervejas produzidas, engarrafadas (com seus retratos no rótulo) e distribuídas para o mercado nacional.

O pub doméstico de Bowen tem televisões, bancos confortáveis, dardos e um sotão cheio de barris de uísque e vinho usados para envelhecer a cerveja. Tudo o que um amante de cerveja precisa – ou quase.

“Nós só não temos um banheiro”, disse Bowen. “Mas estamos numa área bem isolada, nosso chalé fica a apenas 20 passos de distância.”

Clonando ou imitando uma cerveja

Eis um truque de festas interessante que alguns cervejeiros domésticos fazem. Eles oferecem aos amigos, por exemplo, uma cerveja Sierra Nevada Pale Ale, e veem se eles percebem que a cerveja não veio da garrafa mas de uma receita caseira.

Essas cervejas são conhecidas como clones, e há livros, sites e fóruns online dedicados à arte de desconstruir as cervejas comerciais que eles imitam. Seguindo receitas que costumam ser fornecidas pelas próprias cervejarias, cervejeiros interessados podem simular favoritas como a Samuel Adams Boston Lager ou a New Belgium Fat Tire Amber Ale.

“As cervejas comerciais servem como uma linguagem comum”, disse Randy Mosher, um consultor de cervejas de Chicago e autor de “Cervejaria Radical: Receitas, Histórias e Meditações de Alterar o Mundo num Copo”. “É um lugar onde os cervejeiros caseiros podem entender a familiaridade do sabor.”

Para aprender como produzir sua cerveja comercial favorita, como a Guinness, Bassa Ale e Chimay Red, consiga uma cópia de “Cervejas Clone: Receitas Caseiras de 150 Cervejas Comerciais”, de Tess e Mark Szamatulski, marido e mulher que têm uma loja de artigos para cervejeiros em Connecticut. Além disso, sites como HomeBrewTalk.com e tastybrew.com oferecem receitas de usuários tanto de cervejas comerciais quanto de cervejas originais em seu fórum.

Ao formular cervejas clone, que podem ser feitas até mesmo com sistemas rudimentares como o kit Mr. Beer de US$ 40, o cervejeiro amador verá, experimentará e sentirá o aroma de cada ingrediente separadamente. “O objetivo deveria ser desconstruir a cerveja que você está bebendo para entendê-la”, disse Mosher.

Uma vez que os cervejeiros conseguem imitar uma receita com sucesso, eles podem começar um processo que Mosher chama de “vagar no desconhecido” - inventar suas próprias receitas.

“Vejo a produção de cerveja como uma forma de arte”, disse Mosher. “Você pode sentar num museu e copiar pinturas, mas eventualmente você quererá ter sua própria voz.”

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