INTERCÂMBIO DE CONHECIMENTO E PRÁTICAS DO PROCESSO PRODUTIVO

Estive durante os meses de junho e julho em Trier na Alamenha, realizando um Estágio Prático na Cervejaria Kraft Bräu. Retornei com novos conhecimentos e práticas. Nosso curso agora está totalmente revitalizado...

Abraços, Felipe Viegas

Enriko e Patrick (Kraft Bräu) e Felipe Viegas (Taberna do Vale)

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domingo, 20 de novembro de 2011

RETOMADA A TRADIÇÃO CERVEJEIRA EM JUIZ DE FORA / MG

Louras, nem tanto, mas legítimas e assinadas

Produção de cervejas artesanais é retomada em Juiz de Fora, que já foi polo de fabricação da bebida em Minas, pelas mãos de modernos cervejeiros que usam as velhas técnicas de elaboração


FELIPE COURI
cerveja
berta há um ano e meio, Brauhaus produz até mil litros de cerveja por semana, de 10 tipos diferentes


JUIZ DE FORA – Colonos alemães que chegaram a Juiz de Fora em 1858, contratados pela Companhia União e Indústria para a construção da primeira estrada pavimentada do Brasil, ligando a cidade a Petrópolis (RJ), trouxeram na bagagem o conhecimento da produção de cerveja. A atividade artesanal, que ganhou força com o fim da obra, ressurge com o mesmo vigor de outros tempos pelas mãos de modernos cervejeiros que usam as velhas técnicas para elaborar a bebida que é preferência nacional.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (Sindbebidas/MG), Juiz de Fora ocupa a segunda posição entre os municípios mineiros que mais produzem cerveja, perdendo apenas para Belo Horizonte. Atualmente, a cidade conta com uma microcervejaria e oito cervejarias caseiras. Juntas, elas fabricam, em média, 25 mil litros por mês, quase 25 vezes mais do que há cinco anos.

“Havia até certa rejeição e preconceito com a cerveja artesanal, pois acreditava-se que ela não tinha a mesma qualidade das demais. Mas, de dois anos para cá, a aceitação entre os consumidores aumentou, pois eles exigem outros sabores para combinar com pratos”, diz Pedro Peters, dono da Cervejaria Barbante, cuja produção foi retomada em 2007.
Peters é tataraneto do primeiro fabricante de cerveja de Minas Gerais. Fundada em 1861 pelo imigrante alemão Sebastião Kunz, a “linha de produção” funcionava na antiga Colônia D. Pedro II, então conhecida como Colônia de Cima, onde hoje fica o Bairro São Pedro.

“Nosso processo de cozimento é semelhante ao usado na época. A diferença é que, ao invés de arroz e milho, hoje empregamos malte e lúpulo, ingredientes aos quais os imigrantes não tinham acesso na época”, conta.

De acordo com Peters, na segunda metade do século XIX, a cervejaria, cercada por um belo bosque, se tornou um local de lazer e ponto de encontro de famílias alemãs que se reuniam e se divertiam cantando e dançando músicas tradicionais, enquanto degustavam diversos tipos de cervejas e apreciavam comidas típicas da terra natal.

“A herança de família é o principal fator que me fez retomar a produção”, conta Peters, que preserva vários documentos, fotos e ferramentas ligados à atividade. Curiosamente, o nome Barbante faz referência à técnica utilizada no passado para prender as rolhas e evitar estouros durante o processo de fermentação.

Antes de começar a comercializar a bebida, Peters ficou durante um ano e meio aperfeiçoando a técnica. Hoje, diz que dedica cerca de oito horas diárias para cada processo, que demora um mês para ser finalizado. A Barbante produz 1.300 litros mensais e cinco variedades de cervejas:pale ale, red ale, weiss, stout e índia pale ale.

Seis anos após a abertura da fábrica pioneira de Sebastião Kunz, os alemães criaram a segunda cervejaria de Juiz de Fora. A Kremer & Cia nasceu em 1867, no Morro da Gratidão, atual Avenida dos Andradas, em um terreno comprado da Companhia União e Indústria. A cidade chegou a contar com oito fábricas especializadas e, no fim do século XIX, foi considerada o principal polo cervejeiro de Minas.

Negócio rentável o ano inteiro

Os motivos que levaram à retomada da produção de cerveja em Juiz de Fora ultrapassam, muitas vezes, os vínculos históricos entre a cidade e a bebida. Cristiam Rocha, dono da marca Profana, precisava de um produto que atraísse a freguesia também no verão. Ele é proprietário do bar Boi na Curva, especializado em caldos que fazem sucesso principalmente no inverno. “Mas são produtos sazonais”, diz.

O empresário deu início à produção artesanal no andar de cima do bar, em 2007. De lá para cá, o volume fabricado saltou de 240 para 1.500 litros de cerveja por mês. “Descobri que é possível, e até mais provável, que a cerveja de alta qualidade seja a produzida em baixa escala, assim como vinhos e queijos”, ressalta. Rocha faz nove tipos de chope – a “cerveja viva”, ou seja, antes de ser pasteurizada.

Cristiam passou a investigar a fundo o tema, fez visitas técnicas a cervejarias consagradas e descobriu que existem 120 tipos da bebida. “O que as diferencia são fatores como temperatura de fermentação, levedura usada e quantidade de ingredientes, entre outros”, diz o fabricante que, em 2009, ficou em primeiro lugar em um concurso promovido pela Associação dos Cervejeiros Artesanais do Brasil (Acerva).

De aprendiz, o cervejeiro passou a mestre e agora se prepara para ministrar um curso para ensinar técnicas de fabricação artesanal da bebida a 60 pessoas.

Receita e talento herdados da vovó

Um livro de receitas que ganhou de presente da avó, chamado “Enciclopédia da vida – como fazer cerveja”, foi o que levou o administrador de empresas Pedro Scarlatelli de Souza, de 29 anos, a montar a Brauhaus (casa da cerveja) em Juiz de Fora. “Sempre tive esse sonho”, revela.

A Brauhaus funciona há um ano e meio. No local são produzidos de 800 a mil litros semanais de dez variedades: pilsen, oktoberfest, bock, irish red, staout, ipa, hefeweizen, belgian ale, dubbele  A última tem 9,5% de teor alcoólico.

“É uma boa coincidência a retomada das cervejarias em Juiz de Fora”, ressalta o administrador que, entretanto, é descendente de italianos. Souza lembra que o renascimento das cervejas artesanais começou em São Francisco, nos Estados Unidos, há cerca de 30 anos. No Brasil, o recomeço veio graças à marca Baden Baden, de Campos do Jordão (SP), em 1999.


Fonte: Jornal Hoje em Dia - http://www.hojeemdia.com.br/minas/louras-nem-tanto-mas-legitimas-e-assinadas-1.371631

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