INTERCÂMBIO DE CONHECIMENTO E PRÁTICAS DO PROCESSO PRODUTIVO

Estive durante os meses de junho e julho em Trier na Alamenha, realizando um Estágio Prático na Cervejaria Kraft Bräu. Retornei com novos conhecimentos e práticas. Nosso curso agora está totalmente revitalizado...

Abraços, Felipe Viegas

Enriko e Patrick (Kraft Bräu) e Felipe Viegas (Taberna do Vale)

CURSO DE PRODUÇÃO DE CERVEJA EM CASA

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Verdadeira relação entre Cerveja e Quaresma...


Quaresma sem cerveja? Não para os monges medievais!

Passado o Carnaval e com a chegada da Páscoa termina também o espaço de tempo em que boa parte dos cristãos se priva das bebidas alcoólicas – dentre elas as nossas adoradas cervejas. A Quaresma, período de 40 dias compreendido entre a Quarta-feira de Cinzas e o Domingo pascoal, é o momento em que muitos cristãos fazem penitências para refletir de maneira mais adequada os ensinamentos de Cristo.

Na prática, três são as vertentes penitenciais propostas pela Igreja Católica: oração (que deve ser intensificada no período), partilha (com divisão dos bens entre ricos e pobres) e jejum (com restrição das refeições, especialmente em relação a carnes, bebidas alcoólicas e doces).


Historicamente, a Quaresma foi criada dois séculos depois do nascimento de Jesus Cristo como forma de preparar a Páscoa, que inicialmente era composta por três dias de jejum, meditação e oração. Vem também dos tempos antigos, mais precisamente do século IV, a tradição de não comer carnes às sextas-feiras da Quaresma, principalmente durante a última, conhecida como Sexta-Feira Santa. Este é apenas um dos pontos propostos pelo jejum canônico, que sugere ainda a redução das refeições matinais e vespertinas pela metade.

Mas nem sempre foi assim…


Pouca gente sabe que as penitências relacionadas à cerveja nem sempre aconteceram. Na Idade Média, os monges dos monastérios – que faziam esta preparação pascoal de forma mais rigorosa – desempenhavam o jejum canônico à base de cerveja.

Isso mesmo, você não leu errado! Para aguentar os longos períodos sem a ingestão de alimentos sólidos, os monges consumiam cervejas mais encorpadas para suprir os nutrientes retirados das refeições. Foram eles, inclusive, que aperfeiçoaram as técnicas das cervejas ao longo dos anos, fabricando algumas das melhores bebidas do mundo todo.


Mas voltando à época medieval, vale lembrar que o consumo de cerveja não só era feito como também incentivado pela Igreja Católica. Isso fica bem evidente em 1662, quando o Papa Alexandre II autorizou a ingestão da bebida pelos penitentes (Liquidum non frangit jejunum).

O ápice desse costume foi consolidado pelos monges alemães da ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula, que desenvolveram em meados do século XVI um estilo próprio de cerveja para o jejum canônico, o doppelbock. As principais características destes líquidos ficam por conta da coloração escura e da grande concentração alcoólica e de malte.


Outro grupo de monges que entrou para a história da cerveja é a Ordem dos Cistercienses Reformados da Estrita Observância, mais conhecida Ordem Trappista. O nome deriva do mosteiro de Notre Dame de la Trappe, na Normandia. Além da cerveja, as abadias desta Ordem são reconhecidas pelos biscoitos, pães e queijos. Atualmente, há 171 mosteiros trappistas ao redor do mundo, mas só sete deles produzem cerveja: seis na Bélgica e um na Holanda.

É desta época, portanto, que surge a expressão “pão líquido” para representar a cerveja, pois as bebidas produzidas pelos monges continham grandes quantidades de cevada e malte, transformando-se em produtos equivalentes aos pães. Já a alta concentração de álcool se deve ao fato de o período de jejum ser muito frio no hemisfério norte, o que pede por bebidas mais encorpadas e concentradas.

Portanto, passada a Páscoa (que já acontece no próximo domingo), a cerveja está liberada para todo mundo! Agora se você quiser imitar os monges medievais, pode começar a beber uma cervejinha desde já. Além de abençoada, a cerveja é uma ótima pedida para acompanhar o alimento símbolo da Páscoa, o chocolate!

Se você é do tipo que acha que cerveja e chocolate não combinam, veja (e experimente!) as dicas de harmonização do CluBeer.  Você vai se surpreender!


dicas-harmonizacao-cerveja-com-chocolate
Dicas de harmonização de cerveja com chocolate


Chocolate amargo (60% ou mais de cacau): combinam com cervejas dos estilos Schwarzbier, Porter, Stout, Imperial Stouts.

Chocolate ao leite: combinam com cervejas dos estilos Dubbel, Belgian Strong Dark Ales, Old Ales.

Chocolate com frutas secas: combinam com cervejas dos estilos Weizenbocks escuras, Dubbel, Belgian Strong Dark Ales.

Chocolate branco: combinam com cervejas dos estilos Fruit Lambics, Flandres Red Ale, versões mais alcoólicas e aveludadas de Old Ales.


Autor da Postagem: Alexandre Bratt

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